Nutricionista do Cedeba fala sobre diabetes e cuidados com a alimentação

14/11/2019 - 09:11

O dia 14 de novembro foi escolhido como o Dia Mundial do Diabetes, a data foi criada em 1991 pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) junto à Organização Mundial da Saúde (OMS) para conscientizar a população sobre os problemas associados à doença e os cuidados que devem ser tomados para prevenção. 

De acordo com o Ministério da Saúde, a doença é causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio que regula a glicose no sangue e garante energia para o organismo. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, existem atualmente, no Brasil, mais de 13 milhões de pessoas vivendo com a doença, o que representa 6,9% da população. 

E para falar sobre o papel do profissional nutricionista na prevenção e tratamento do diabetes, convidamos a nutricionista Cristiane Pacheco para uma entrevista. A profissional é pós graduada em Nutrição clínica em Obesidade e Estética pela Universidade Estadual da Bahia e atua no Centro de Referência Estadual para Assistência ao Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba).

ENTREVISTA: 

1- QUAIS OS FATORES DE RISCO PARA O DESENVOLVIMENTO DA DOENÇA?

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), os principais fatores de risco para o diabetes são: Fator genético (familiar com diagnóstico de diabetes); glicemia de jejum alterada ou a redução da tolerância à glicose (confirmada em exames laboratoriais); hipertensão arterial (HAS); dislipidemia (taxas de gorduras no sangue alteradas: colesterol total, HDL, LDL, Triglicérides e etc.); sobrepeso ou obesidade e aumento da circunferência abdominal; sedentarismo, fumo, álcool e drogas; se apresentou diabetes gestacional; e outros como: ovários policísticos; apneia do sono; doença cardiovascular; doença renal; uso intenso de medicamentos (glicocorticóides).

2- QUAIS SÃO OS TIPOS DE DIABETES?

Os tipos mais comuns são: Diabetes tipo 1 (DM1): hereditário, marcado pela destruição das células do pâncreas, as quais deixam de produzir e liberar a INSULINA para o corpo. A glicose não consegue ser utilizada como fonte de energia, aumentando sua concentração no sangue. Os sinais e sintomas apresentam-se logo na infância ou na adolescência, podendo surgir na fase do adulto jovem também. 

Diabetes tipo 2 (DM2): Causado por produção insuficiente de INSULINA pelo pâncreas ou causado porque o corpo não consegue usar a INSULINA produzida adequadamente (resistência à insulina). Mais frequente nos adultos e idosos.

Diabetes Gestacional: Causado pelo desequilíbrio hormonal durante a gestação que pode fazer com que o pâncreas não consiga produzir quantidade suficiente de INSULINA para controle da glicose no sangue. Mais comum em gestantes com idade mais avançada; com ganho de peso excessivo na gestação; sobrepeso ou obesidade prévios; síndrome ovários policísticos; história prévia de diabetes gestacional; história familiar de diabetes gestacional e/ou diabetes; HAS na gestação; ou gestação gemelar.

Pré-diabetes: Diagnóstico para quando taxas de glicose sanguínea estão alteradas (mais altos que o normal), mas ainda não suficiente para o diagnóstico de diabetes. Adultos obesos, hipertensos e com dislipidemias estão no grupo de risco. Destaca-se que 50% dos pacientes pré-diabéticos podem reverter o quadro ou retardar o surgimento da doença, a partir da mudança do estilo de vida.

3- QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINTOMAS?

Ressalta-se que os sintomas do DM1 surgem mais rapidamente do que para os indivíduos portadores do DM2, nos quais apresentam-se mais lentos e “sorrateiros”. No geral, os sintomas são: Urinar excessivamente (mais à noite); sede excessiva; perda de peso rápida; aumento do apetite; cansaço; vista embaçada e/ou tonturas; infecções frequentes.

4- QUAL A RELAÇÃO DA ALIMENTAÇÃO NA PREVENÇÃO E TRATAMENTO DA DOENÇA?

Uma alimentação equilibrada desde a infância, baseada em alimentos in natura e/ou minimamente processados, que contenha todos os grupos de alimentos, adequadamente fracionada e porcionada, pode evitar e/ou retardar o surgimento do DM2; bem como controlar níveis glicêmicos tanto do DM1 como do DM2 e DM gestacional, evitando complicações comuns da doença.

A restrição alimentar para o diabético é uma conduta sem êxito! O planejamento alimentar INDIVIDUAL, observada a rotina do paciente, o acesso ao alimento, respeitando sua cultura e preferências alimentares, podem melhorar significativamente as METAS GLICÊMICAS e qualidade de vida do indivíduo diabético.

5- QUAL A RELAÇÃO ENTRE OBESIDADE E DIABETES? 

O ganho de peso é um dos principais fatores de risco para o DM2. O acúmulo de gordura visceral (no fígado, no pâncreas, etc), nos músculos, na região abdominal, funciona como “barreira” para a AÇÃO efetiva da insulina (hormônio que controla a glicemia), o que resulta no aumento dos níveis de glicose no sangue.

6- QUAL A GRAVIDADE DO AÇÚCAR PARA O ORGANISMO, DAS PESSOAS COM DIABETES?

O açúcar é um alimento “pobre” em nutrientes, podendo-se dizer que 100% da porção consumida é transformada rapidamente em glicose (o que chamamos de “caloria vazia”), que se não utilizado logo como energia ou, se consumido em excesso, pode elevar rapidamente os níveis de glicose no sangue, assim como o peso. Num plano alimentar equilibrado, para um diabético que esteja com glicemias e peso controlados, recomenda-se o consumo NÃO SUPERIOR à 10% do seu valor calórico total do dia, evitando-se açúcar refinado, mascavo e o mel.

7- QUAIS MUDANÇAS DE HÁBITOS DEVEM SER FEITAS APÓS O DIAGNÓSTICO DO DIABETES?

Educação alimentar; prática de atividade física; evitar consumo de álcool, fumo ou drogas; preservar horas de sono; entender o diabetes e como funciona seu organismo; controle glicêmico (monitorização); controle do peso, da pressão arterial e do colesterol e frações.

8- QUAL É O PAPEL DO NUTRICIONISTA NA PREVENÇÃO E TRATAMENTO DESTA DOENÇA?

O nutricionista tem papel fundamental dentro de uma equipe interdisciplinar para cuidados do diabetes. Este profissional tem o objetivo de proporcionar qualidade de vida ao diabético a partir de uma avaliação nutricional e antropométrica, traçando seu plano alimentar individual, baseado na sua rotina e considerando seu acesso aos alimentos, sua cultura e seus hábitos alimentares. A educação nutricional é fundamental para que o conhecimento proporcione autonomia na escolha dos alimentos e/ou preparações, o que resultará num controle glicêmico por mais tempo dentro das metas.

9- QUAL É O PAPEL DA FAMÍLIA NA PREVENÇÃO E TRATAMENTO DA DOENÇA? 

O apoio dos familiares proporciona melhor adesão ao tratamento e melhor controle glicêmico. O manejo da doença fica muito mais “leve” quando a família entende o processo dos cuidados em diabetes, e oferece o enfrentamento da doença junto, modificando, se necessário, todo ambiente e rotina familiar em prol do fortalecimento do autocuidado e do êxito do tratamento.

10- O QUE RECOMENDARIA COMO ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL E ADEQUADA PARA PESSOAS COM DIABETES?

A alimentação deverá ter por base o Guia Alimentar para a População Brasileira, priorizando-se a variedade de alimentos in natura e/ou minimamente processados, adequada em qualidade e quantidade, e respeitando as tradições e culturas alimentares de cada indivíduo. Lembrando que para o diabetes, o controle dos carboidratos no planejamento alimentar é fundamental pois 100% desse macronutriente transforma-se em glicose sanguínea em até 2 horas após seu consumo, variando o tempo de absorção a depender do teor de fibras do carboidrato escolhido. 

11- QUAIS AS RECOMENDAÇÕES PARA EVITAR A DOENÇA?

Mudança do estilo de vida: alimentação equilibrada; prática de atividade física; evitar fumo, álcool e drogas; manter peso adequado; controlar níveis de colesterol e frações e a pressão arterial; reduzir níveis de estresse; e preservar as horas de sono à noite.

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