Taxar bebidas açucaradas é uma das saídas contra a obesidade, diz OMS

2/12/2016 - 04:12

Deu na Folha de São Paulo. A taxação de bebidas açucaradas pode ser uma das saídas para a diminuição da obesidade no Brasil. A matéria publicada no jornal de circulação nacional traz a discussão sobre ideia da Organização Mundial da Saúde (OMS), que tem promovido uma verdadeira cruzada contra essas bebidas e recomendou, em outubro deste ano, que os países criem impostos sobre elas.

Segundo a OMS, um aumento de 20% no preço já resulta em reduções no consumo desses produtos e, consequentemente, de problemas como sobrepeso, obesidade, diabetes tipo 2 e cáries.

A matéria da Folha ainda informa a experiência de algumas cidades americanas que, através de referendos, aprovaram a criação de um imposto sobre bebidas açucaradas, como refrigerantes e sucos artificiais.

Em São Francisco, Oakland, Albany (Califórnia) e Boulder (Colorado), haverá um aumento de até 20% no preço de diversos tipos dessas bebidas doces –apontadas como um dos principais vilões para os altos índices de obesidade, especialmente em crianças e jovens.

Essa taxação já foi aprovada ou está em vigor em países como Reino Unido, México, Dinamarca e Hungria. No Brasil, porém, a discussão sobre essa taxa em refrigerantes e outras bebidas açucaradas inexiste no governo e enfrenta a resistência das associações do setor.

No entanto, para a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não-alcoólicas (Abir), que reúne as principais marcas de refrigerante e sucos artificiais no país, esse tipo de imposto não traz resultados reais e fere a liberdade individual do consumidor.

 

EPIDEMIA

Após a divulgação da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do governo federal, o peso dos brasileiros passou a ser uma das principais preocupações da área de saúde.

Isso porque o problema está diretamente ligado ao surgimento de doenças que estão entre as principais causas de morte no país, como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, depressão e alguns tipos de câncer, como o de intestino grosso, mama, endométrio (camada interna útero), rim e esôfago.

Segundo o levantamento, 52,5% da população adulta no país está acima do peso e, dessa parcela, 17,9% estão obesos. No geral, o número de brasileiros acima do peso subiu 10% em oito anos.

E ao se olhar os índices entre crianças e adolescentes, o cenário segue desolador. Tanto que, nos Estados Unidos, essa geração morrerá mais cedo que a de seus pais –algo que nunca aconteceu antes. E o principal motivo são os problemas decorrentes da obesidade.

No Brasil, segundo o IBGE, uma em cada três crianças com idade entre 5 e 9 anos está acima do peso. Comparado com pesquisas anteriores, o excesso de peso entre as crianças mais do que triplicou desde 1974: passou de 9,7% para 33,5% atualmente.

Se continuarmos nessa marcha, o Brasil pode se tornar o país mais obeso do mundo em 15 anos. Esse aumento do peso, assim como observado em todo o mundo, está relacionado principalmente aos hábitos decorrentes da vida moderna: má alimentação e sedentarismo.

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