CONBRAN: ‘fome’ e ‘redes sociais’ são temas de debates em Brasília

20/04/2018 - 03:04

O Congresso Brasileiro de Nutricionistas (Conbran 2018) segue na abordagem de temas importantes para a profissão. Ontem pela manhã foi realizada a mesa redonda “Por que lembrar da Fome?”, coordenada pelo nutricionista Élido Bonomo, presidente do CFN, com a participação de Francisco Menezes, diretor do Ibase e consultor de Políticas da ActionAid no Brasil; Luiz Zarref, representante do Movimento dos Sem Terra; e Valéria Burity, da Organização pelo Direito Humano à Alimentação e à Nutrição Adequadas (FIAN Brasil).

O debate focou nos temas fome e a agricultura. “É preciso que a sociedade apoie a luta contra a fome. Não é só o agro é pop. Precisamos incentivar as práticas da agricultura como uma base alimentar. Afinal, quem consegue alimentar a humanidade é a produção agrícola. A fome no Rio está como se estivéssemos em 1993”, explicou Francisco.

Segundo Valéria Burity, é preciso engajamento da população na luta para garantir os seus direitos. “Aproveitar a comida para comida virar gente e essa gente poder lutar para garantir seus direitos”, explica. Ainda de acordo com a especialista, o problema do Brasil nunca foi falta de produção, mas sim distribuição, o acesso ao alimento. “É você superar todos os gargalos para garantir o acesso, sejam entraves de raça, lugar, social”, afirma Valéria.

REDES SOCIAIS

Na segunda mesa redonda do dia, a nutricionista Regina Rodrigues, diretora do CFN,  coordenou os trabalhos com o tema “Limites Éticos para a Atuação dos Profissionais de Saúde dos Meios de Comunicação”.

Como debatedores, Venceslau Jackson da Conceição Pantoja, representante do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen); Emmanuel Fortes Silveira Cavalanti, do Conselho Federal de Medicina (CFM); Ekaterine Karageorgiadis, do Instituto Alana; e a nutricionista e professora do Departamento de Nutrição e Pesquisadora associada do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília (UnB), Renata Monteiro.

Em sua fala, professora Renata abordou a postura do nutricionista no ambiente de comunicação digital, principalmente nas redes sociais digitais. “Primeiro de tudo, não somos profissionais de estética. Somos profissionais de Saúde. E, por isso, precisamos ter cautela para não criarmos uma indústria da estética em volta de nossa profissão”, pontuou. Ela ainda ressalta que a profissão não se resume ao senso comum, restrito às questões de emagrecimento: “Não somos profissionais para emagrecimentos. Não somos resumidos a isso. Nós cuidamos da alimentação e da saúde das pessoas. O emagrecimento é apenas uma consequência do nosso trabalho”.

Sobre a postagem de antes e depois nas redes sociais e divulgação de resultados, ela foi categórica. “Quem garante que foi você que conseguiu o emagrecimento do paciente? Foi, na verdade, um conjunto de fatores. Não podemos ter essa atitude porque isso é sensacionalismo, auto-promoção. O paciente fez uma trajetória de emagrecimento, baseada em outras estratégias em conjunto. Por isso, o sucesso é do paciente e não do nutricionista. A gente é apenas um contribuinte desse processo. Ter essa postura ética é ter respeito pelo trabalho que a gente faz”, finaliza a nutricionista.

*Com informações da Assessoria de Comunicação do CRN-6

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